sigmund freud

PULSÃO DE VIDA x PULSÃO DE MORTE

A Pulsão
O termo “pulsão” permeia toda a teoria psicanalítica e, no entanto, em decorrência das traduções e de alguns autores, em diversas ocasiões sofreu a perda do seu real sentido. Encontramos inúmeras obras (e autores) considerando a “pulsão” como o equivalente ao “instinto”; porém no original alemão existem os dois termos, Instinkt e Trieb, utilizados na obra freudiana cada qual com o seu significado próprio. Instinkt indica um comportamento animal herdado através da hereditariedade em uma determinada espécie, e que vai variar muito pouco (ou nada) de um ser para o outro, tendo ainda, uma finalidade mais ou menos definida. Trieb, de raiz germânica, evoca o sentido de impulsão, enfatizando-se mais a pressão irrefreável do que a meta final em si.

A pulsão, na concepção freudiana é, portanto, “um conceito situado na fronteira entre o mental e o somático,… o representante psíquico dos estímulos que se originam de dentro do organismo e alcançam a mente”.

Na obra freudiana a teoria das pulsões sempre se manteve em dualidade desde o seu início, quando foi concebida a primeira elaboração entre as pulsões sexuais e as pulsões do ego ou de autoconservação. Essa teoria inicial das pulsões foi modificada posteriormente, vindo a ser e constituir o modelo vigente da teoria pulsional: o dualismo entre as pulsões de vida (Eros) e as pulsões de morte (Tanatos).

A pulsão sexual pode ser descrita como uma pressão interna que, primariamente (nas crianças), não se satisfaz genitalmente. Sua satisfação encontra descarga em diversas partes do corpo (zonas erógenas), seguindo um complexo desenvolvimento (oral, anal, fálico, latência) até atingir as atividades sexuais propriamente ditas que se iniciam naturalmente na puberdade. Antes de alcançar este último estágio, elas são consideradas pulsões parciais, mais ou menos independentes entre si, que estarão encontrando satisfação em zonas isoladas do corpo, seguindo o desenvolvimento psicossexual considerado na psicanálise. É importante pontuar que as pulsões sexuais foram tomadas pelas pulsões de vida no segundo modelo teórico de Freud e, de certo modo, correspondem a elas com algumas alterações. Já as pulsões de autoconservação correspondem às funções corporais necessárias à conservação do indivíduo, sendo a fome o seu principal protótipo, por isso, elas têm objetos fixos e específicos.

Princípio do Prazer
O princípio do prazer desempenha suas atividades sem se preocupar com as exigências da realidade externa; quer, na verdade, percorrer os caminhos mais curtos possíveis para realizar seus objetivos. É um funcionamento típico do aparelho psíquico infantil, onde não se leva em conta nenhum adiamento para o que possa proporcionar prazer. Isso não significa que na fase adulta (madura) ele seja totalmente abandonado, mas sim, que não deve predominar sobre o princípio de realidade.

Princípio de Realidade
Este princípio vai se instaurando na medida em que a criança vai se adaptando ao mundo externo, adquirindo maturidade cognitiva e fisiológica (linguagem, controle dos esfíncteres, etc.). É uma modificação do princípio do prazer, já que torna as exigências psíquicas passíveis de certo adiamento e desvios, com o fito de regulá-las de acordo com a realidade. Podemos acrescentar que a energia que antes se encontrava de certa forma, livre, móvel e procurava meios rápidos de descarga, com a instalação do princípio de realidade, se torna mais controlada e até mesmo vagarosa, ou menos impulsiva, no que diz respeito à sua meta final.

Pulsão de Morte x Pulsão de Vida
Estes dois conceitos foram introduzidos por Freud e permearam sua obra até o fim; porém, a hipótese referente à pulsão de morte não foi inteiramente aceita por muitos de seus seguidores diferentemente do que ocorreu com a maioria de seus conceitos. Na época que entrou em voga foi muito questionada e, ainda hoje, é uma de suas noções que causam maiores controvérsias. Na psicanálise, designa o conjunto das pulsões de vida que têm uma tendência a constituir e conservar unidades cada vez maiores, com o objetivo de preservar a existência do organismo. Existe aí uma espécie de princípio de ligação, que deseja unir partes, formando estruturas maiores e conservá-las. Num nível celular, corresponderia às células germinais que, sob condições favoráveis, podem se multiplicar e se “revestirem” de um novo corpo (soma). As pulsões de vida visam então, “o estabelecimento e manutenção de formas mais diferenciadas e mais organizadas, a constância e mesmo o aumento das diferenças de nível energético entre o organismo e o meio”.

A pulsão de morte propriamente dita, visa à redução completa das tensões, a um (re)conduzir o ser vivo para um estado inorgânico, que seria a forma mais primitiva do ser: o estado inanimado. Neste ponto, Freud aceita o termo proposto pela psicanalista inglesa Bárbara Low, denominado “Princípio de Nirvana” que designa a tendência do aparelho psíquico a levar a zero a quantidade de excitação nele presente. “Nirvana” é um conceito budista difundido por Schopenhauer no Ocidente e significa “a extinção do desejo humano… um estado de quietude e de felicidade perfeita”.

Freud afirma que as formas primitivas de vida não teriam em si mesmas, desejo de mudar. Então, se “tudo o que vive, morrer por causas internas, logo o objetivo de toda vida é a morte”. Então, a função das pulsões de vida seria, sob este ponto de vista, o de garantir, ou descobrir caminhos, para que o organismo siga sua rota até a meta final da vida sem ser interrompido por causas externas, podendo retornar ao estado inorgânico à sua própria maneira: “o que nos resta é o fato de que o organismo deseja morrer apenas do seu próprio modo”. É interessante notar a incansável insistência de qualquer pulsão, mesmo que reprimida, para alcançar a satisfação representativa de alguma experiência primária que foi prazerosa.

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