homicídio/psicologia/suicídio

GAMES: VIOLÊNCIA OU AJUDA?

Com as últimas notícias sobre video games e morte achei interessante pesquisar sobre o assunto.
Duas linhas bem diferentes apareceram: uma afirmando a teoria dos efeitos nocivos de games violentos e outra onde esse tipo de jogo pode ajudar militares a combater pesadelos.
Aqui vão os dois artigos…

Games te deixam mais violento?

A violência em videogames vem sendo criticada há décadas, e não importa exatamente o tipo de violência – se você está quebrando a coluna de alguém em Mortal Kombat ou matando terroristas em Call of Duty. Uma série de trabalhos teóricos e experimentais já foram capazes de fazer uma ligação entre jogos violentos e o comportamento agressivo. Você provavelmente já deve ter ouvido que jogos violentos dessensibilizam crianças e adolescentes para a violência real, além de deixá-los mais agressivos.

Esse tipo de comentário e toda uma leva de estudos para embasar esses discursos começam a surgir logo após alguma tragédia ou crime. O caso mais clássico é o tiroteio em na escola Columbine, em 1999. Repórteres vasculharam a vida pessoal dos meninos e descobriram que ambos gostavam de jogar Doom. Outro incidente, semelhante ao de Columbine, na Universidade da Virgínia, envolveu jovens que gostavam de jogar Counter Strike. Em 2011, um homem de 23 anos entrou em uma escola municipal no Rio de Janeiro e atirou contra alunos em salas lotadas. Posteriormente, descobriu-se que além de disseminar mensagens de violência da internet, ele gastava boa parte de seu tempo livre jogando GTA e Counter Strike. Recentemente, um menino de 13 supostamente matou os pais (ambos PMs) e cometeu suicídio. Alguns dias depois, a imprensa divulgou que o adolescente era fã de Assassin’s Creed e inclusive usava imagens dos personagens do jogo em redes sociais.

Atiradores de Columbine eram fãs de Doom.

Atiradores de Columbine eram fãs de Doom.

Para a imprensa, está claro que há algum tipo de ligação entre o comportamento violento de jovens e a prática de jogar videogame. A ciência concorda. Desde 1984 estudos mostram (ou tentam mostrar) que jogos tendem a desencadear comportamentos violentos. Muitos desses estudos consistem em fazer uma pessoa experimentar um jogo violento ou não e fazer uma série de testes como pedir para escrever uma história, completar frases ou responder perguntas sobre diversos contextos. Todos esses testes são formas indiretas de medir a agressividade de um indivíduo, mas ainda assim, são usados de forma padrão em uma série de experimentos comportamentais que não necessariamente envolvem videogames.

Brad Bushman, professor da Universidade de Ohio, é um dos pesquisadores que acredita que videogames violentos são sim capazes de desencadear comportamentos agressivos: “A maioria dos trabalhos mostra que a exposição a jogos violentos aumenta pensamentos e sentimentos agressivos, além de reduzir o sentimento de empatia pelo próximo”. Já para Chris Ferguson, da Universidade do Texas, é difícil afirmar que os videogames tem poder para transformar um jovem ou adolescente pacífico em agressivo: “Por enquanto, as pesquisas são certamente inconsistentes. Quem disser que a pesquisa sobre qualquer coisa envolvendo agressividade é conclusiva, está mentindo, francamente. A própria literatura sobre agressividade é inconsistente, e a minha impressão é que por enquanto, não há como fazer nenhuma ligação causal ou correlacionar videogames a agressividade”.

Há muitos problemas com testes comportamentais – o que não os desqualifica – que não estão relacionadas somente a variabilidade de respostas, mas também a variabilidade dos indivíduos submetidos aos testes (o que altera as respostas finais). O próprio Bushman, que defende a correlação entre jogos violentos e agressividade, diz que há uma série de vieses em estudos comportamentais: “Eu poderia fazer o mesmo estudo 50 vezes e obter resultados diferentes em cada uma das vezes”. Vale lembrar que estes estudos medem agressividade, mas não violência. Estar agressivo em determinado momento, após um determinado estímulo, não caracteriza uma pessoa essencialmente violenta, e nem a condiciona a ser assim. As pesquisas não tem como determinar isso. Bushman afirma que não há como medir ou testar o quão violento é um indivíduo.

A violência explícita de Mortal Kombat

A violência explícita de Mortal Kombat

Um estudo de 2011 publicado na revista Psycology of Violence, demonstrou que jogos competitivos em geral, independentemente de serem violentos ou não, causavam um aumento de agressividade nos jogadores. Jogos de alta competitividade, como Mortal Kombat (violento) e Marble Blast Ultra (puzzle, não violento), causavam respostas mais agressivas do que Left 4 Dead (violento, cooperativo). Um estudo de 2012, inclusive, mostrou que jogos cooperativos, ainda que graficamente violentos como Halo II, são capazes de tornar os jogadores mais cooperativos mesmo fora da jogatina.

Saindo do campo científico/experimental, outros dados mostram que pode não haver mesmo uma relação tão forte entre agressividade e videogames violentos. Nos EUA, as vendas de videogames só vem aumentando, enquanto as taxas de crimes envolvendo armas e jovens só vem diminuindo. Países com indivíduos que gastam mais dinheiro com videogames, como Coréia do Sul e Países Baixos são os mais seguros no que diz respeito a crimes com armas cometidos por jovens.

Jogos com base na cooperação entre indivíduos tem efeitos positivos no comportamento

Jogos com base na cooperação entre indivíduos tem efeitos positivos no comportamento.

Pensando de forma mais objetiva, não precisamos ir muito longe ou ver estatísticas de países desenvolvidos. “Call of Duty: Modern Warfare 3″ vendeu quase 15 milhões de cópias. Quantos desses jogadores se tornaram atiradores, terroristas, assassinos? Os meninos de Columbine eram fãs de Doom, que vendeu cerca de 3 milhões de cópias no mundo todo. Eles dois viraram atiradores homicidas, mas o que aconteceu com os outros dois milhões novecentos e noventa e nove mil novecentos e noventa e oito jogadores?

Rotular videogames como a causa de violência acaba sendo uma alternativa fácil e pontual para um problema social muito, mas muito maior. Vale lembrar que os videogames são obras de ficção, mas a arte imita a vida; games refletem o nosso ambiente cultural. “Medal of Honor”, “Call of Duty”, “Battlefield” e outros N jogos semelhantes estão aí mostrando, se bobear, uma realidade mais light do que soldados e civis viveram em guerras, só para citar como exemplo. Esses casos isolados, que podem ter ocorrido por uma série enorme de fatores simplesmente ignoram que outros milhões de jogadores, expostos à violência não só de videogames, mas também de filmes, livros, músicas e até do seu cotidiano, não estão matando pessoas na vida real.

Leia também:
– From Halo To Hot Sauce: What 25 Years Of Violent Video Game Research Looks Like (Kotaku)
– The Truth About Video Games and Gun Violence (Mother Jones)
– Videogame Controversies (Wikipedia)

fonte: Pitaco Daily

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Jogar videogame pode ajudar a combater pesadelos, afirma estudo:

Quem tem o hábito de jogar conseguiu combater ameaças em sonhos ruins.
Estudo comparou sonhos de 86 militares dos EUA e Canadá.

Um estudo realizado pela Associação Americana de Psicologia afirma que pessoas que jogam videogame regularmente têm menos pesadelos ou conseguem combatê-los mais facilmente do que quem não tem o hábito de jogar, de acordo com reportagem do jornal “Wall Street Journal”.

A pesquisa comparou os sonhos de 64 gamers que jogam todos dias com 22 pessoas que não costumam jogar com frequência, todos eles membros do serviço militar dos Estados Unidos e do Canadá, sendo que alguns não exercem mais esta função. O resultado é que quem jogou videogame teve mais sonhos bons e não teve relatos de estresse pós-traumático do que quem não tem o hábito de jogar videogame.

Ao relatar pesadelos, os militares que não jogam afirmaram ter sido vítimas passivas nos sonhos, ou seja, não conseguiam lutar contra o que os estava ameaçando, enquanto que os jogadores afirmaram ter confrontado as ameaças, sendo vítimas ativas, segundo o estudo.

A pesquisa aponta que jogos violentos e de guerra, como “Call of Duty” e “Battlefield” podem ter efeitos benéficos em soldados que atuam em zonas de combate. O fato de participar de confrontos virtuais e vencê-los podem ajudar na motivação e na formação psicológica.
A reportagem do “Wall Street Journal” afirma que a pesquisa ainda é inicial e que os resultados ainda são sugestivos. Mais dados serão analisados e publicados posteriormente, afirma a associação de psicologia.

Referência

Endereço: http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2012/01/jogar-videogame-pode-ajudar-combater-pesadelos-afirma-estudo.html

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